Vi esse vídeo e gostei tanto que tive que postar. Porém, admito que se você não conhecer um pouco de cinema, não vai ter tanta graça assim, BUT... Aí vai!
* Dedico este post a Maristela, uma amiga cinéfila.
sábado, 4 de setembro de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
A cicatriz das asas

Até o momento em que ouvia-se os toques do despertador, aquela tinha sido uma manhã comum, como todas as outras. No entanto, no exato instante em que seus pés magros e chatos sentiram a frieza do chão ao pé da cama, toda a normalidade desapareceu.
Examinava-se maravilhado no espelho. Um par de asas que saíam de suas costas, logo abaixo dos ombros e estendiam-se até a altura dos joelhos faziam agora parte de sua anatomia. Penas brancas e macias agora compunham aquele corpo jovem, mas já cansado, formando uma espécie de intermediário entre aves e humanos, um anjo, ou apenas o que realmente era – um homem com asas.
Nenhum minuto sequer foi perdido. Com certa dificuldade subiu na janela de seu quarto, deu um impulso com as pernas e no mesmo segundo estava subindo em direção às nuvens – a manhã estava perfeita para voar. E foi o que fez. Subiu o máximo que pôde, desceu em queda-livre, planou com as correntes de ar, brincou com pássaros e com outras pessoas aladas que encontrou pelo caminho, e no fim da tarde voltou para casa extasiado e dormiu a noite toda de uma só vez.
Já no outro dia, sabia bem o que queria fazer: preparou uma mochila com coisas que precisaria e saiu para conhecer o mundo. Nunca imaginou que pudessem existir tantos lugares incríveis como os que viu em sua jornada, na verdade, não acreditaria nem em fotos se não tivesse visto com os próprios olhos. Meses e memórias depois, voltou para casa e descansou.
Os dias foram passando, mas não sem serem aproveitados. De volta a sua cidade, tudo que fazia era com a ajuda de suas asas, para todo lugar que ia, era voando. A melhor época de sua vida.
Em outra manhã comum, ao acordar, viu que suas asas não estavam mais onde deveriam. Seu corpo voltara a ser o de um humano ordinário – jovem, mas cansado. Sobre a cama, um único vestígio do passado: uma única pena branca repousava perdida entre os lençóis amarrotados.
Sem saber o que fazer, colocou o pé esquerdo sobre o chão – o frio era insuportável – e, em prantos, olhou-se no espelho procurando por algo, nem que fosse uma cicatriz, mas nada encontrou. Em seu corpo não havia uma marca sequer daquilo que nos meses anteriores tinha ocorrido.
Desesperado, andou de um lado para o outro, esmurrando as paredes e amaldiçoando a vida, até que deixou-se cair no chão gelado em um canto da casa. Ali soube o que fazer: reuniu todas as forças que jamais imaginou que tivesse, engoliu uma garrafa de vodka junto com a dor e arrancou suas duas pernas. Jamais andar novamente seria a cicatriz daquele que um dia soube voar.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Atrás do tempo
É (relativamente) comum ouvirmos pessoas, quando falando de outras, se referirem a estas como sendo “a frente de seu tempo”. Pintores, escritores, músicos, políticos, intelectuais, cineastas e bloggers (por que não?) podem ter idéias, teorias, gostos e atos não apropriados para os padrões das sociedades em que vivem, e neste caso, recebem este título que, na minha opinião, é um grande elogio.
ENTRETANTO, algumas pessoas – dentre as quais eu me incluo – parecem ser exatamente o oposto, isto é, atrás de seu próprio tempo. Para ser mais exato, neste momento enquanto escrevo para vocês, estou ouvindo Bee Gees (pois é!), apenas uma das, digamos, antguidades que gosto. Vocês não fazem idéia de como ouço músicas antigas, popularmente conhecidas como “músicas de velho”. Grandes clássicos, músicas não tão conhecidas, anos 50, 60, 70, 80... Se me agrada, eu ouço.
Algumas vezes chego a pensar se nasci na época certa, se realmente tenho a idade que tenho, ou se sou mais velho. Ainda não sei a resposta. Mas o fato é que sou uma pessoa atrás do meu tempo!
O mais complicado é que para uma pessoa atrás do tempo, eu sou a frente do meu tempo. Calma, eu explico. Considerando-me vivendo em outra época – mais antiga – eu sou uma pessoa a frente do tempo. Isto é, para meus contemporâneos (século XVIII, XIX ou início do XX) tenho idéias muito avançadas, no entanto, para as mentes do XXI, estas idéias são absolutamente normais (sem noção, mas normais), totalmente “dentro do tempo”.
Entenderam meu dilema? Meu paradoxo? Por isso não me localizo na linha do tempo, já que para um jovem do século XIX sou revolucionário, e para um do século XXI sou um museu.
Oh vida!
ENTRETANTO, algumas pessoas – dentre as quais eu me incluo – parecem ser exatamente o oposto, isto é, atrás de seu próprio tempo. Para ser mais exato, neste momento enquanto escrevo para vocês, estou ouvindo Bee Gees (pois é!), apenas uma das, digamos, antguidades que gosto. Vocês não fazem idéia de como ouço músicas antigas, popularmente conhecidas como “músicas de velho”. Grandes clássicos, músicas não tão conhecidas, anos 50, 60, 70, 80... Se me agrada, eu ouço.
Algumas vezes chego a pensar se nasci na época certa, se realmente tenho a idade que tenho, ou se sou mais velho. Ainda não sei a resposta. Mas o fato é que sou uma pessoa atrás do meu tempo!
O mais complicado é que para uma pessoa atrás do tempo, eu sou a frente do meu tempo. Calma, eu explico. Considerando-me vivendo em outra época – mais antiga – eu sou uma pessoa a frente do tempo. Isto é, para meus contemporâneos (século XVIII, XIX ou início do XX) tenho idéias muito avançadas, no entanto, para as mentes do XXI, estas idéias são absolutamente normais (sem noção, mas normais), totalmente “dentro do tempo”.
Entenderam meu dilema? Meu paradoxo? Por isso não me localizo na linha do tempo, já que para um jovem do século XIX sou revolucionário, e para um do século XXI sou um museu.
Oh vida!
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
sábado, 31 de julho de 2010
CACUQUEQUEQUINHO... machuquei o dedinhooo!
Hoje em um instante de total falta de lucidez de minha parte, aceitei um convite para jogar bete (espécie de baseball tupiniquim). Quem me conhece sabe da minha inaptidão para qualquer esporte/jogo. Para que você, caro leitor, entenda de maneira fácil, é mais ou menos assim: se há a possibilidade de ganhar, eu perco; se tem que se mover, sou desajeitado.
Mas o que aconteceu foi o seguinte, em um determinado instante, veio-me a incrível idéia de pegar a bola ainda no ar (uma tentativa de ganhar o jogo) o que resultou em um "mal jeito" no meu polegar, o que por sua vez, resultou em uma incapacidade de usá-lo, o que resultou neste post (o mais dolorido da minha carreira de blogueiro!), o que resultou em...
Estou me sentindo menos evoluído! Sei que ainda tenho meu "telencéfalo altamente desenvolvido" mas o que sou eu sem meu "polegar opositor". Sou apenas metade da minha estrutura psico-motora (ohhhhhhh!!!!).
Não se trata apenas de não conseguir realizar tarefas simples, afinal, muitas pessoas com problemas (mais sérios) sempre dão um jeito e não são "menos evoluídas", trata-se aqui da simbologia da coisa... PUTZ, é meu polegar opositor/oponível!
***
Uma vez em uma palestra com bombeiros aprendi que para queimar, o fogo precisa de três coisas: calor, combustível e oxigênio, e que, portanto, para apagá-lo você precisa retirar um dos três.
***
Aqui é a mesma coisa. Para desmontar a civilidade/evolução do ser humano, basta tirar uma característica necessária para isso. Claro que não se trata do polegar, que serviu neste caso apenas como uma metáfora [se é que posso chamar disso (figuras de linguagem não são o meu forte)]. Se, então, é tão fácil assim deixar de ser "o evoluído", vale a pena questionar a veracidade desta evolução.
PS: Foi o polegar da mão esquerda, sou destro... Isso tudo é um pequeno drama da minha parte. Licença poética.
Mas o que aconteceu foi o seguinte, em um determinado instante, veio-me a incrível idéia de pegar a bola ainda no ar (uma tentativa de ganhar o jogo) o que resultou em um "mal jeito" no meu polegar, o que por sua vez, resultou em uma incapacidade de usá-lo, o que resultou neste post (o mais dolorido da minha carreira de blogueiro!), o que resultou em...
Estou me sentindo menos evoluído! Sei que ainda tenho meu "telencéfalo altamente desenvolvido" mas o que sou eu sem meu "polegar opositor". Sou apenas metade da minha estrutura psico-motora (ohhhhhhh!!!!).
Não se trata apenas de não conseguir realizar tarefas simples, afinal, muitas pessoas com problemas (mais sérios) sempre dão um jeito e não são "menos evoluídas", trata-se aqui da simbologia da coisa... PUTZ, é meu polegar opositor/oponível!
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Uma vez em uma palestra com bombeiros aprendi que para queimar, o fogo precisa de três coisas: calor, combustível e oxigênio, e que, portanto, para apagá-lo você precisa retirar um dos três.
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Aqui é a mesma coisa. Para desmontar a civilidade/evolução do ser humano, basta tirar uma característica necessária para isso. Claro que não se trata do polegar, que serviu neste caso apenas como uma metáfora [se é que posso chamar disso (figuras de linguagem não são o meu forte)]. Se, então, é tão fácil assim deixar de ser "o evoluído", vale a pena questionar a veracidade desta evolução.
PS: Foi o polegar da mão esquerda, sou destro... Isso tudo é um pequeno drama da minha parte. Licença poética.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Seis, rato!!!
"Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
Mário Quintana
Criamos imagens de nós mesmos sempre cercadas por certezas. Eu gosto disto, mas não gosto daquilo, e isso jamais vai mudar! Somos ou não somos asssim meus amigos? Mas aí vai uma revelação: isto não é verdade!
Deixe-me dizer uma coisa basedo em minhas próprias experiências. Viver de certezas até que é possível sim, mas nem sempre vale a pena. Eu, por exemplo, nunca gostei de truco. "Aprendi" a jogar umas quatro vezes, mas nunca gostei, pelo contrário, com o tempo aprendi a gostar cada vez menos. Eu tinha certeza!
No entanto, em uma noite (hoje) jogando baralho com os amigos, surgiu a oportunidade de aprender mais uma vez. Bom, se tivesse ido pela minha certeza, teria recusado na hora (como eu queria fazer), mas não... eu segui em frente.
"Mas que belo exemplo esse hein Max!" Concordo com vocês, este pode ser o exemplo mais besta, mas ilustra bem o quero dizer.
Não vou dizer que o truco se tornou meu jogo favorito, que adorei, porque não é verdade (ainda!), mas a questão é que eu fui contra uma certeza absoluta e valeu a pena.
Vale a pena lembrar que estou falando de "pequenas" certezas, e não de princípios - apesar de que estes também podem ser mudados ("estes são os meus princípios, se não gostou, tenho outros" Groucho Marx).
Gostaria de finalizar com as sábias palavras de um amigo (um dos meus professores de truco): "Truco é uma questão de momento" bom, eu diria mais, a vida é uma questão de momento.
E por enquanto...
That's all folks!!!
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
Mário Quintana
Criamos imagens de nós mesmos sempre cercadas por certezas. Eu gosto disto, mas não gosto daquilo, e isso jamais vai mudar! Somos ou não somos asssim meus amigos? Mas aí vai uma revelação: isto não é verdade!
Deixe-me dizer uma coisa basedo em minhas próprias experiências. Viver de certezas até que é possível sim, mas nem sempre vale a pena. Eu, por exemplo, nunca gostei de truco. "Aprendi" a jogar umas quatro vezes, mas nunca gostei, pelo contrário, com o tempo aprendi a gostar cada vez menos. Eu tinha certeza!
No entanto, em uma noite (hoje) jogando baralho com os amigos, surgiu a oportunidade de aprender mais uma vez. Bom, se tivesse ido pela minha certeza, teria recusado na hora (como eu queria fazer), mas não... eu segui em frente.
"Mas que belo exemplo esse hein Max!" Concordo com vocês, este pode ser o exemplo mais besta, mas ilustra bem o quero dizer.
Não vou dizer que o truco se tornou meu jogo favorito, que adorei, porque não é verdade (ainda!), mas a questão é que eu fui contra uma certeza absoluta e valeu a pena.
Vale a pena lembrar que estou falando de "pequenas" certezas, e não de princípios - apesar de que estes também podem ser mudados ("estes são os meus princípios, se não gostou, tenho outros" Groucho Marx).
Gostaria de finalizar com as sábias palavras de um amigo (um dos meus professores de truco): "Truco é uma questão de momento" bom, eu diria mais, a vida é uma questão de momento.
E por enquanto...
That's all folks!!!
terça-feira, 27 de julho de 2010
O primeiro passo para a frustração
Férias acabando e comecei a pensar sobre o que fiz, ou seja, comecei a fazer um balanço sobre minhas férias. (Antes que você desista de ler, eu NÃO vou falar sobre elas!)
Enquanto ainda estava atolado de coisas para fazer e estudar no fim do semestre, tinha muitos planos para estas férias, mas agora, com elas acabando, vejo que não fiz quase nenhum deles. Isto me traz de volta a uma velha idéia, a de que a expectativa é o primeiro passo para a frustração.
Se é para o futuro, criamos expectativas. É quase impossível escapar disto. Primeiro dia de aula, ou no trabalho, as férias que se aproximam, uma viagem, um relacionamento... enfim, sempre imaginamos coisas e fazemos planos para aquio que ainda não é, a diferença é se estas expectativas são, digamos, pequenas ou grandes, mas elas estão lá.
Eu particularmente sou contra elas, mas também não escapo. Quando algo se aproxima, penso que é melhor encarar de cara limpa, pois você não se frustrará se não espera nada daquilo. Mas se, ao contrário, você coloca o futuro (seja lá o que for) em uma caixa com laços e fitas, há uma possibilidade de que esta caixa se torne como a de Pandora e liberte males, dentre eles, a frustração. E convenhamos, não a coisa pior que frustrar-se!
O truque é que temos que aprender a apreciar as coisas simplesmente por como elas são, e nem tanto por como gostariamos que fossem.
Mesmo isso não tendo graça nenhuma.
Enquanto ainda estava atolado de coisas para fazer e estudar no fim do semestre, tinha muitos planos para estas férias, mas agora, com elas acabando, vejo que não fiz quase nenhum deles. Isto me traz de volta a uma velha idéia, a de que a expectativa é o primeiro passo para a frustração.
Se é para o futuro, criamos expectativas. É quase impossível escapar disto. Primeiro dia de aula, ou no trabalho, as férias que se aproximam, uma viagem, um relacionamento... enfim, sempre imaginamos coisas e fazemos planos para aquio que ainda não é, a diferença é se estas expectativas são, digamos, pequenas ou grandes, mas elas estão lá.
Eu particularmente sou contra elas, mas também não escapo. Quando algo se aproxima, penso que é melhor encarar de cara limpa, pois você não se frustrará se não espera nada daquilo. Mas se, ao contrário, você coloca o futuro (seja lá o que for) em uma caixa com laços e fitas, há uma possibilidade de que esta caixa se torne como a de Pandora e liberte males, dentre eles, a frustração. E convenhamos, não a coisa pior que frustrar-se!
O truque é que temos que aprender a apreciar as coisas simplesmente por como elas são, e nem tanto por como gostariamos que fossem.
Mesmo isso não tendo graça nenhuma.
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